Entrada | agosto 2006 »

julho 30, 2006

Voltei Voltei

Depois de percorrer 3100Km, atravessando cinco países, lá cheguei à Gare do Oriente são e salvo, 363 dias depois de ter deixado Lisboa pela última vez… para trás ficaram a troca de um autocarro de luxo que me conduziu de Brno até Praga por um menos requintado até Paris onde nem conseguia reclinar o meu banco para descansar e rezei para que a vespa que havia entrado algures na Alemanha não me atacasse (preces ouvidas quando parámos no Luxemburgo e o bichinho lá voou para fora), a entrada num TGV em Montparnasse com a porta do vagão-restaurante avariada que nos obrigou a trocar para uma nova composição (a boa e velha SNCF – já deixei o meus avisos no GUIA DO MOCHILEIRO em relação a esta companhia…) saindo com um atraso de uma hora e temi que não conseguisse apanhar o Sud-Express em Irún. Mas graças ao divino, o clássico comboio nocturno que liga a Europa ao seu extremo não só esperou, como chegou à tabela compensando o desconforto de pela primeira vez em dezenas de viagens, os 8 lugares do meu compartimento estarem ocupados. Da banda sonora do Indiana Jones que foi soando na minha cabeça ao longo destas duas extenuantes noites em viagem, soam agora os acordes do «Voltei, voltei…voltei de lá…» Primeira paragem: banheira? Não! Os novos estúdios da RTP/RDP onde a simpaticíssima Helena Esteves da Antena 1 me aguardava para uma breve conversa onde «viajámos» por Lisboa, Budapeste e ainda na Colômbia pela pena de García Marquéz, da qual alguns trechos foram transmitidos na passada Sexta Feira no Programa PORTUGAL EM DIRECTO. Para quem não ouviu, na próxima Terça – Feira dia 1 volto aos mesmos estúdios para falar para as outras duas antenas cujos programas anunciarei em breve. Na Quarta - Feira, às 15h30 apresento o GUIA DO MOCHILEIRO no pequeno ecrã no programa PORTUGAL NO CORAÇÃO na RTP 1. Vejam!

Publicado por António Pedro Nobre às 08:18 PM | Comentários (0)

julho 22, 2006

Apresento-me pela décima quarta vez!

Por mais que tente, a entrada "Apresento-me" não funciona. Ou sou uma besta quadrada que não percebe nada disto ou se calhar o sistema movabletype com que edito este blog não é o mais viável...
Sendo assim, aqui vai a nova entrada de apresentação neste Blog. (ah, e esqueçam o link abaixo para ler o resto pois não vai a lado nenhum...)

Anunciei em plenos pulmões a minha chegada a este planeta no Hospital Particular de Lisboa, às dez horas e dez minutos na Terça Feira de Carnaval, corria o ano de Nosso Senhor Jota Cê de Mil Novecentos e Setenta e Seis.
Aos cinco anos decifrei o código da junção de letras e revelei um fervor pela leitura, sendo por estes dias que pensei que poderia vir a ser um escritor e poucos foram os que duvidaram da minha vocação dada a fértil imaginação revelada quando tentava justificar o desaparecimento ou danos de objectos na minha proximidade, ou ainda o facto de o meu irmão mais novo aparecer um dia com o cabelo completamente grisalho ou fechado dentro de uma mala abandonada à porta do meu vizinho...
Meteram-me a primeira mochila nas costas quando tinha apenas seis anos, era eu um aspirante a Lobito do Agrupamento CNE 338 de S. Mamede de Lisboa, marcando o início de uma década de escutismo, onde nem sempre segui os princípios de Baden Powell da melhor vontade, mas mais de uma centena de acampamentos marcaram definitivamente o meu perfil explorador e aventureiro e esta fobia em permanecer demasiado tempo no mesmo lugar ou até na mesma actividade.
Desde então, já berrei em bandas punk/HC, actuei em grupos de teatro amadores, fui julgado em tribunal por defender os meus ideais sendo condenado a 7 meses de "trabalhos forçados" na Biblioteca Nacional ( ou seja, passei este período a navegar gratuitamente na Internet às custas dos contribuintes, e garanto-vos que muitos dos funcionários em full time conseguiam fazer ainda menos do que eu...), ganhei prémios em festivais de Vídeo ecológicos, trabalhei em centenas de anúncios de TV, fiz de realizador em reality shows e de vítima noutros menos realistas, filmei estrelas do pop/rock nacionais na estrada, documentei o dia a dia dos zombies portugueses, prestei homenagens a realizadores de cinema desconhecidos e escrevi argumentos de séries de animação e albúns de banda desenhada semi-eróticos.
Em 2004, larguei tudo e parti para outra aventura - a minha primeira Viagem a sério (pois as anteriores foram meras incursões turísticas...) e este blog é dedicado a esta nova experiência da minha vida...

Publicado por António Pedro Nobre às 01:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

Tou Aqui, Tou em Lisboa...

Há um ano que não meto os pés em Lisboa... nem tão pouco me dei ao trabalho de lá ir para lançar o meu primeiro livro. Se pensar bem, não tenho muitas saudades da cidade em si, mas quando revi algo sobre ela no novo livro que acabei de entregar ao meu editor, senti uma lágrima ameaçando sair quando lia o pequeno trecho: “...as ruas semi desertas, o bacalhau seco pendurado nas portas das mercearias, o cheiro a tintol das tabernas onde os reformados jogam o dominó, o silêncio interrompido pelas vozes esganiçadas das mães chamando os filhos que jogam à bola na rua, a velhota que olha melancólica pela janela enquanto ouve os lamentos de uma fadista acompanhados pelos gemidos da guitarra portuguesa…” Todos os que amam Lisboa sabem o que isto é... Acabei de fechar mais um Livro, que há-de sair no próximo Outono. Está na hora de começar um novo. Há que falar com o meu editor, organizar meios e recolher fundos para uma nova viagem e na Quarta – feira voltaram a perguntar quando é que vou a Portugal, pois desta vez, até a Televisão juntou-se à rádio na solicitação para entrevistas... Depois tenho saudades dos meus familiares, amigos e animais de estimação, que mesmo não estando ao meu cuidado não deixam de ser meus, dos Pastéis de Belém, da bica no Olinda, dos gelados de fruta do Santini, dos moranguitos do Mexe, dos Long Island do Purex, de ficar com os pés colados ao chão na Ginginha, de ler um livro sentado algures em Alfama... só lamento que não possa mais comer o Agli Oli do Espanhol pois fechou para expandir o pequeno império do Pedro Miguel Ramos (as minhas desculpas aos leitores do Guia do Mochileiro, mas quando soube do fecho deste restaurante, já o livro se encontrava na tipografia...). Enfim, tenho saudades da minha menina e moça que cheira tão bem. Tá na hora de ir de férias!

Publicado por António Pedro Nobre às 12:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 16, 2006

GUIA DO MOCHILEIRO

ISBN 9728762964. Arte Plural Edições/Colecção Boa Viagem 2006 Capa Mole/272 pgs. Este é o meu livro de estreia, embora não seja de facto o meu primeiro trabalho, visto ter já escrito o guião de um albúm de BD. Mas este último ainda está a limar arestas e a autoria é partilhada com o desenhador, pelo que o GUIA DO MOCHILEIRO marca o meu baptismo literário. Apesar do título de GUIA, este livro funciona mais como um manual de utilização para quem quer percorrer a Europa de comboio, utilizando o passe InterRail, onde mais do que indicar aonde ir, expliquei como visitar, compilando todos os dados relacionados com este passe e as viagens de comboio em geral pelo nosso velho continente a que tive acesso, juntando também a minha experiência pessoal e a de outros viajantes com quem troquei impressões. Após ter feito cinco InterRails apercebi-me de que nem sempre os viajantes que optam por este tipo de aventuras está devidamente aconselhado para realizar a sua viagem e que muitas vezes surgem alguns pequenos dissabores (como entrarmos num comboio onde o passe não é válido, ou até é, mas não bem como pensávamos) ou surpresas bem agradáveis, mas que lamentamos não ter sabido antes (como por exemplo, descobrir que podia deslocar-me no comboio urbano de Berlim com o meu passe IR gratuitamente e excusava de ter gasto meia dúzia de Euros em bilhetes de Metro...)por culpa desta falta de informação. Não é que esta não esteja de facto disponível, antes pelo contrário: a rede InterRail tem um web-site muito compreensivo e esclarecedor, para quem domina a língua inglesa e este ano a CP finalmente renovou o seu website e dedicou uma secção para quem quer viajar com este passe, que embora careça de alguns detalhes, não deixa de ser bastante útil. O problema é que por mais informação que nos seja dada on-line, estamos a falar de viagens, com a agravante de se possível, estas serem itenerários onde mudamos de cidade todos os dias, estando constantemente em movimento durante um mês. O que é que fazemos? Claro que com as novas tecnologias podemos recorrer a um laptop e aos terminais WI-FI ou até receber alguma informação necessária pelo telemóvel, mas estamos todos assim tão ricos? Mais a mais, neste género de viagens não é aconselhado este tipo de equipamentos se temos de facto algum amor por eles ou se damos valor ao dinheiro que neles gastámos. Eu próprio que vivo para viajar e que agora até posso dizer vivo das viagens e da escrita acerca delas, limito-me a levar um pequeno bloco de notas e uma caneta de tinta permanente e o meu telefone é absolutamente jurássico e práticamente só o uso como despertador e para receber SMS's de emergência... Há quem pense em imprimir todas as páginas que encontrar e compilar assim o seu próprio guia, mas sabem o tempo que perdem e a tinta que gastam? Eu próprio tive essa triste ideia uma vez e digo-vos que não me dei nada bem. Era necessário um guia prático e físico que pudessemos levar no bolso e que reunisse tudo aquilo que precisamos de saber. Depois de muito procurar descobri apenas o "Europe by Eurail" (publicado pela Thomas Cook), que se aproximava bastante do guia que eu havia idealizado, embora se aplicasse a um passe semelhante, mas que é apenas válido para cidadãos de fora dos países da rede InterRail, uma vez que não podem adquirir este último. Para o InterRail não havia nada no que tocava a guias, pelo que tive o bichino de escrever um durante uns tempos. Quando entreguei o manuscrito do já referido albúm de BD, o meu editor desafiou-me a escrever um Guia para mochileiros, uma vez que sabia do meu interesse por viagens e de que eu era um aficcionado coleccionador de livros e revistas da especialidade. Aceitei o desafio de bom grado e mencionei o meu desejo de compilar o manual de InterRail, ao qual ele acrescentou que gostaria de que este se dirigi-se também ao público Brasileiro (daí a inclusão do Eurail) e que para além de todos os dados essenciais para bem orientar os viajantes, incluísse um pequeno itenerário de dez cidades, com um respectivo guia turístico de cada uma delas. Durante os meses seguintes revisitei e descobri os locais que menciono neste livro, passei horas a navegar na Net e procurei junto das várias instituições, empresas e estabelecimentos algum apoio institucional para poder compilar as informações mais actualizadas e completas que era possível. Escrevi mais de um milhar de e-mails, aos quais muitas organizações responderam calorosamente, oferecendo-se até para reler as páginas onde eu as mencionava de modo a corrigir erros ou acrescentar detalhes omitidos. Mas também muitas vezes recebi respostas como "não estou aqui para fazer o seu trabalho" e muitos foram os que não tiveram sequer a delicadeza de me responder, mesmo que negativamente. As minhas deslocações foram ou auto-financiadas ou contaram com o mecenato do meu editor, havendo ainda alguns pequenos patrocínios esporádicos, que por mais pequenos que tenham sido, ajudaram a que o meu trabalho fosse feito. Mas com o excelente apoio que tive, ou até com a falta deste, ao fim de um ano, o GUIA DO MOCHILEIRO está nas livrarias portuguesas, pronto para orientar outros viajantes e divulgar os serviços não só daqueles que me ajudaram, mas também os que me recusaram ou ignoraram os meus pedidos (sempre gostei de compensar tanto a boa como a má vontade). Eu já ganhei metade do que tinha a ganhar: a realização de ter escrito e investigado sózinho um livro que normalmente conta com uma equipa inteira para o fazer... a segunda metade, será ganha quando receber o feedback daqueles que viajaram com o GUIA DO MOCHILEIRO. Dinheiro? O pouco que recebi foi para continuar a minha viagem e poder escrever mais guias... Podem procurar o GUIA DO MOCHILEIRO na livraria mais próxima ou adquirir através dos sites:
  • Editora Pergaminho/Arte Plural Edições
  • FNAC
  • Clube BPI
  • Publicado por António Pedro Nobre às 08:45 AM | Comentários (0) | TrackBack